SIGA O DINHEIRO: MARGEM ALTA NEM SEMPRE SIGNIFICA MELHOR RETORNO
Na semana passada, falamos sobre um erro comum: olhar apenas para a margem de um produto e esquecer quanto tempo o dinheiro permanece parado no estoque. Agora, quero chamar a atenção para outro ponto: a ideia de que uma margem menor, compensada por um giro maior, nem sempre pode levar a melhor decisão.
Imagine uma loja de ferragens, por exemplo, que vende parafusos. Cada unidade custa poucos centavos, e talvez não faça sentido o empresário ficar controlando o estoque diariamente para comprar exatamente a quantidade que será vendida nos próximos dias. Por quê? Porque o capital investido é pequeno demais e os parafusos ocupam pouco espaço. É possível manter meses de estoque dentro de algumas gavetas.
Nesse caso, cobrar um pouco mais para ter uma margem melhor pode ser mais interessante do que gastar tempo e dinheiro fazendo compras frequentes para manter um estoque enxuto.
Agora pense em uma loja que vende geladeiras e máquinas de lavar. A história muda um pouco. Uma geladeira pode representar centenas ou milhares de reais parados. Além disso, ocupa um espaço grande dentro da loja ou do depósito. Se demorar tempo demais, esperando um comprador, o empresário está pagando pelo capital que ficou parado e pagando pelo espaço que está ocupando.
A margem que parece boa no momento da venda, pode desaparecer quando o custo do tempo que levou para recuperar o dinheiro. É por isso que estoque não deve ser analisado apenas pela margem ou pelo giro. O empreendedor precisa olhar para quatro coisas ao mesmo tempo: 1º Quanto custa o produto? 2º Quanto espaço ele ocupa? 3º Quanto tempo demora para vender? E 4º qual a margem que ele proporciona para remunerar o capital durante esse período?
Esse raciocínio vale tanto para o comércio quanto para a indústria. Um componente barato, pequeno e de consumo previsível pode justificar manter no estoque. Já um produto caro, volumoso e de giro lento exige muito mais cuidado.
O objetivo é buscar o maior giro possível, com a melhor margem possível, fazendo o dinheiro produzir dinheiro, considerando o custo do tempo que o dinheiro fica deitado, dormindo no estoque e o custo do espaço que ele ocupa. Por isso, siga o dinheiro, sem se escravizar por ele.
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