ESTOQUE BOM E ESTOQUE RUIM: SEPARE CADA UM EM CONTAS ESPECÍFICAS
Ao longo dos anos, como consultor, tive o privilégio de conhecer empresas dos mais diversos segmentos. Cada uma possui sua cultura, suas qualidades e seus desafios. Mas existe um comportamento que aparece com frequência impressionante: a dificuldade de se desfazer de estoques antigos.
É comum encontrar materiais esquecidos há anos, produtos fora de linha, embalagens amareladas, peças quebradas ou até itens com validade vencida ocupando espaço ao lado de mercadorias novas, saudáveis e de alto giro. Quando perguntamos por que continuam ali, quase sempre ouvimos a mesma resposta: "Um dia posso precisar."
O curioso é que esse apego emocional acaba escondendo a realidade. No sistema da empresa, todo esse material aparece simplesmente como "estoque". Se o balanço mostra R$ 1 milhão em estoque, passa a impressão de que existe R$ 1 milhão de riqueza disponível. Na prática, isso raramente é verdade. Por isso, recomendo criar uma conta especifica para classificar o estoque ruim, separando do estoque bom.
Pode chamar de “Estoque Lixo” por exemplo, para separar itens sem valor econômico, como; materiais vencidos, fora de linha, quebrados, deteriorados, obsoletos. Aqueles que jamais serão utilizados. Permanecem na empresa apenas porque ninguém tomou a decisão de descartá-los.
Imagine que o seu sistema esteja mostrando no balanço, R$ 1 milhão na conta estoque. E após essa classificação, talvez descubra que apenas R$ 700 mil representam estoque saudável, enquanto R$ 300 mil são, na prática, lixo acumulado.
Essa simples separação mudará completamente a percepção do empresário. O problema deixa de ficar escondido dentro de um único número e passa a ser visível. E aquilo que se torna visível pode ser administrado.
Se desejarem, poderá optar também, por uma conta intermediária, pode chamar de “Estoque Futuro Descarte”. São itens ainda utilizáveis, dentro da validade, porém sem movimentação há muito tempo, e ainda possuem algum valor.
O estoque ruim, não gera receita, mas continua gerando despesas. Ocupa espaço, a empresa arca com o custo do espaço ocupado, paga salário para funcionário manter o almoxarifado, aumenta o custo dos inventários e dificulta encontrar aquilo que realmente importa.
As vezes, o maior passo para melhorar o resultado da empresa não é comprar mais. É ter coragem de reconhecer que certos materiais já cumpriram sua missão. Quando o estoque deixa de esconder o problema, a gestão ganha clareza, o patrimônio fica mais verdadeiro e as decisões passam a gerar muito mais valor. E bons ares começam a fluir.
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