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PRESTAÇÃO DO CARRO É CUSTO DO TRABALHO DO MOTORISTA?

há 12 minutos
2 min de leitura

Imagine que você comprou um carro financiado em 24 meses. Todos os meses, a prestação vence. Pouco importa se você trabalhou muito ou pouco, a prestação precisa ser paga. Se eu pago a prestação todos os meses, devo considerar como custo do meu trabalho? A resposta é: não.


Vamos entender com um exemplo. Suponha que comprou o carro de R$ 80 mil, dando R$ 20 mil de entrada e financiando os outros R$ 60 mil em 24 meses. Desconsiderando os juros por enquanto, seriam 24 prestações de R$ 2.500. Quando você paga esses R$ 2.500, seu dinheiro diminui, mas sua dívida também diminui no mesmo valor.


Você não ficou R$ 2.500 mais pobre por causa desse pagamento. Apenas utilizou dinheiro para quitar uma parte do carro que já havia comprado. É uma saída de dinheiro do seu bolso, contra a redução da obrigação. A prestação faz parte do seu caixa, mas não faz parte do seu custo. Como assim?


Vejamos de outra forma. Suponha que você tivesse financiado os R$ 60 mil em 12 meses. Nesse caso, seriam prestações de R$ 5 mil. Percebe que o valor da prestação varia conforme o prazo do financiamento? Mas será que o custo do seu trabalho muda porque você escolheu pagar o carro em 12 ou 24 meses?


Por isso, para calcular o custo do seu trabalho, considere os gastos com combustível, troca de óleo, seguro, IPVA e tudo o que envolve manter o veículo em operação. Deve incluir também a depreciação estimada, aquele valor que o carro perde ao longo do tempo, pelo uso. E, para completar a conta, considerar sua própria remuneração mensal, o pró-labore. Pronto! Este é o custo do seu trabalho.


E aonde entram o juro do financiamento? O juro é uma despesa financeira, que deve ser pago com o resultado da operação. Funciona assim: da sua receita mensal, você desconta o custo do trabalho, o que sobra é o resultado operacional, ou seja, o resultado que sua atividade produziria se o veículo estivesse totalmente quitado.


Com o resultado da operação, você paga o juro e a prestação do financiamento. O que sobra é o resultado de caixa. O financiamento facilita a compra, mas tem uma taxa pela facilidade: o juro sobre o dinheiro que te emprestou. Seu trabalho precisa gerar dinheiro suficiente para manter a operação, remunerar você e ainda permitir o pagamento das prestações, compostas pelo valor principal da dívida e pelo juro.


Quando o motorista aprende a separar custo, lucro e fluxo de caixa, começa a administrar seu trabalho como um negócio. Um passo importante na construção do patrimônio.



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