A FAÇANHA NORUEGUESA E A SABEDORIA DAS EMPRESAS DURADOURAS
- 9 de jun.
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A “Façanha Norueguesa” talvez tenha muito mais ligação com o mundo das empresas do que muitos imaginam. Quando a Noruega descobriu petróleo, poderia ter seguido o caminho mais comum: gastar tudo na fase boa, aumentar rapidamente o padrão de vida do povo acreditando que a abundância, duraria para sempre. Muitos países pegaram este caminho. Durante alguns anos viveram prosperidade, e depois enfrentaram crises.
A Noruega escolheu outro caminho. Separou parte da riqueza do presente para proteger o futuro. E talvez esteja aí uma das maiores lições para os empreendedores. Empresas vivem em ciclos. Existem fases boas, as vendas crescem, o caixa sobra e tudo parece funcionar bem. É justamente neste momento que mora o maior perigo.
Muitos empreendedores confundem fase boa com riqueza permanente. Então começam; aumentam as retiradas, assumem financiamentos, ampliam estrutura, trocam veículos, elevam o custo fixo, antecipam sonhos e acaba consumindo todo o excedente que a empresa está produzindo na fase boa.
O problema é que o mercado funciona em ciclos. E, mais cedo ou mais tarde, chegam períodos ruins: queda nas vendas, aumento de custos, inadimplência, concorrência, crises econômicas, etc. E neste momento aparece a diferença entre empresas fortes e empresas frágeis.
A empresa que gastou toda prosperidade da fase boa, normalmente entra em sofrimento na fase ruim. Começa a depender de bancos, corta investimentos importantes, perde tranquilidade nas decisões e passa a administrar na inquietação.
Já a empresa prudente, usa a fase boa, para construir proteção. Fortalece o caixa. Forma reservas. Reduz dependências. Investe em produtividade. Melhora processos. Cria capacidade para suportar períodos difíceis sem entrar em apreensão. Isso gera algo extremamente valioso no mundo empresarial: paz financeira e oportunidades.
A tranquilidade de atravessar crises sem perder o sono talvez seja uma das maiores riquezas que uma empresa pode construir. E, curiosamente, a diferença entre uma empresa que prospera continuamente e outra que desaparece, está na construção de uma cultura de rigor nos gastos e disciplina administrativa.
A Noruega entendeu que riqueza verdadeira não está em gastar muito durante a abundância, mas em transformar excedentes temporários em segurança permanente. Empresas também podem fazer isso. Talvez o empreendedor sábio, seja justamente aquele que desenvolve humildade para entender que os ciclos ruins virão, e inteligência para se preparar quando eles chegarem.
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